Os quatro temperamentos: como podem influenciar na educação dos filhos?

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Olá, pais.

Vocês já ouviram falar sobre temperamento?

O temperamento é como uma base no ser humano, quando a pessoa nasce é como se já viesse instalado. É inato! Então o modo de conviver, de se apresentar no mundo tem influência com base no temperamento de cada um.

De acordo com cada temperamento podemos entender o que naturalmente é nosso e, com isso temos facilidade em realizar algumas coisas e outras não, além de conseguir perceber o que precisamos desenvolver, uma vez que não é evidente em nosso temperamento.

Sendo assim, ao olhar para nossos filhos já podemos desde cedo na primeira infância identificar o temperamento, isso vai nos ajudar a educá-los, a nos conectarmos a eles e facilitar o direcionamento para que possam desenvolver o que é necessário.

Qual a diferença entre temperamento e personalidade?

Não podemos confundir temperamento com personalidade, pois enquanto o temperamento é uma estrutura mineral que não muda e estará sempre na nossa essência, a personalidade é vegetal, porque pode mudar, se desenvolver. É como se o temperamento fosse o solo, e a personalidade fosse o vegetal que está plantado nesse solo.

Existem muitas pessoas de temperamentos iguais, mas não pode haver pessoas com personalidades idênticas, cada uma têm a sua própria personalidade e características.

Quais são os temperamentos?

Colérico:

Pode se dizer que é uma combinação de quente com o seco que se torna o fogo, pessoas coléricas são pessoas expansivas, com capacidade de liderar, não tomam decisões para agradar os outros, mas sim para irem em direção a seus objetivos.

As crianças com este temperamento conseguem se expandir com facilidade, por isso precisam de um foco, uma boa direção vinda dos pais para que a capacidade de liderar não se torne um problema.

Para essas crianças é fundamental ensinar a humildade, pois existe uma grande tendência em se tornarem orgulhosas, nunca pedirem ajuda, manipularem as outas pessoas facilmente. Um outro ponto de atenção é a dificuldade que essas crianças têm de reconhecer autoridade, inclusive a dos pais. Quando são muito repreendidas em excesso elas tendem a esconder quando erram, esconder os seus defeitos.

Para corrigir o comportamento de uma criança colérica é preciso usar de muitos elogios, utilizar a própria força que ela possui para modificar um comportamento. Em vez de apontar o que fez de errado, dizer a ela qual a forma correta a ser feita. O colérico também precisa se sentir útil, ser desafiado, ver sentido na tarefa e ser exposto em atividades que possam competir.

Sanguíneo:

Destaca-se o comportamento ar, com uma combinação de quente e úmido que também tem capacidade de expansão. A pessoa com este temperamento se expressa com a intenção de se relacionar, estar com outras pessoas em grupo.

São crianças que falam sem pensar, são impulsivas, muitas vezes consideradas difíceis e dispersas. É comum ver diagnósticos errôneos de TDAH (Transtorno de déficit de atenção com hiperatividade) para estas crianças.

Como elas possuem a linguagem em desenvolvimento, e ainda não têm a capacidade linguística, expõem de uma maneira disfuncional as emoções, jogam-se no chão, se debatem como que desafiando os pais.

São crianças extrovertidas, envolventes e, na infância podem ser consideradas difíceis, pois são agitadas, malcriadas, não param quietas, se intrometem na conversa dos adultos, quando os pais falam é como se “estivesse entrado em um ouvido e saído no outro”, obedecem por dois minutos e voltam a fazer o que tinha sido repreendido, como se estivessem desafiando os pais, também têm mais dificuldade em realizar atividades que exijam uma capacidade de concentração. Aos seis anos de idade quando já conseguem dominar a fala se tornam agradáveis e seguem assim até a idade adulta, sendo mais fáceis de lidar.

Fleumático:

Combinação de frio e úmido, é uma pessoa que se sente confortável em um ambiente mesmo sem conversar com ninguém, para ela tanto faz. Só se expressam após total concentração, tem um processo mais lento, são introvertidas, mas conseguem envolver os demais. São crianças que recebem um direcionamento e já seguem de imediato, são organizadas e calmas, mas que precisam de metas altas para que possam se desenvolver.

É preciso cuidado, pois a criança fleumática não interioriza com facilidade a orientação dos pais, apenas mudam de atividade para sair do foco da atenção. Elas aprendem e absorvem muito mais pelo exemplo dos pais e das pessoas mais próximas, funcionam como espelho dos pais, portanto a educação do fleumático tem relação com a autoeducação dos pais.

Melancólico:

Esse temperamento traz a combinação de seco e frio, é aquela criança que não traz dificuldades durante os primeiros anos de vida, pois obedecem os pais e não trazem impactos comportamentais ao ambiente em que estiverem inseridas.

É uma criança que gosta e necessita de rotina, e que não faz questão de chamar a atenção para si, se comporta de maneira amável, cumprimenta os adultos, brincam até mesmo sozinhas. Têm dificuldades em se expressar através da fala, guarda tudo para si, até mesmo as broncas injustas, e sem que os pais percebam podem se afastar e chegar à adolescência e a vida adulta sem um vínculo forte com os pais.

É preciso ser presente afetivamente com a criança melancólica, abraçar, dar carinho, e assim tentar acessá-la. A criança melancólica também gosta muito de solidão, mesmo quando está entre amigos consegue ter acesso ao seu mundo interior. Ela também cristaliza tudo que recebe dos pais (positivo ou negativo), e leva para a vida adulta, por isso a importância de receberem amor, atenção e aprender a ter valores.

Qual você acha que é o temperamento do seu filho?

Este texto foi baseado no livro “Os quatro temperamentos na educação dos filhos” do autor e psiquiatra Dr. Italo Marsili.

Abraços,

Aparecida Sales

Psicóloga Infantil

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Aparecida Sales

Sou Psicóloga Clínica formada na FMU em 2013 e especialista em Gestão Estratégica de Pessoas pelo Mackenzie em 2017. Com atuação na Psicologia Infantil e Orientação de Pais, o meu trabalho está direcionado as dificuldades enfrentadas pela criança, seja cognitiva, emocional ou comportamental.

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